Trabalhar é direito de todo cidadão


Lucas Mendes de Oliveira tem 25 anos, mora em São Joaquim de Bicas e tem a síndrome de Tourette (conhecida também como síndrome de la Trourette, SGT ou ST), que é um distúrbio neuropsiquiátrico caracterizado por movimentos involuntários, frequentes e repetidos. Esses tiques múltiplos, geralmente, se manifestam na infância e podem ser motores ou vocais, dificultando, muitas vezes, a realização de atividades habituais, como trabalhar e estudar. Além disso, a síndrome vem associada, frequentemente, ao Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) ou ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). No entanto, há controle no tratamento. Neste caso, Lucas, por exemplo, faz uso de medicamentos todos os dias.

Ele concluiu o Ensino Médio aos 21 anos, em Betim, e começou a procurar emprego em Belo Horizonte e região metropolitana. Apesar de ter participado de entrevistas em algumas empresas, não era chamado. “Quando eu ligava para a empresa procurando por notícias sobre as vagas, recebia um ‘não’ e começava a chorar, ficava nervoso”, afirma o jovem, que, enfaticamente, desejava muito trabalhar. Ele destaca que enquanto não conseguia um emprego catava latinhas em São Joaquim de Bicas e, com muito custo, conseguia ajudar sua família com a venda dos materiais recicláveis.

Lucas lembra ainda que a última vez que ficou triste por não ser chamado para trabalhar, sua mãe o acalmou, dizendo que existe o Instituto Ester Assumpção, uma organização sem fins lucrativos, em Betim, fundada em 1987, que atua no campo da inclusão de pessoas com deficiência. A organização contribui com a construção de uma sociedade mais inclusiva, onde a diversidade seja aceita e respeitada na sua integralidade. Diante disso, ele enviou seu currículo, fez o cadastro e, rapidamente, foi chamado para trabalhar no centro de distribuição de uma drogaria como Operador de Logística, em Contagem, no mês de junho de 2015. Lá ele trabalhou por quase um ano. “Eu achei muito interessante trabalhar na Araújo. Fiquei muito feliz. Foi a primeira vez que minha carteira de trabalho tinha sido assinada”, ressalta.

Quando saiu da empresa, ficou desempregado por menos de 2 meses e já iniciou como Aprendiz Pessoa com Deficiência na REA, uma fábrica betinense que produz peças de plástico para diversos segmentos, sobretudo para o setor automotivo. Lucas, hoje, trabalha na função de Auxiliar de Montagem e diz: “todo mundo aqui me ensina alguma coisa e o que eu mais gosto de fazer é montar comedouro para os animais.”. E mostra também sua autonomia: “com o meu salário, eu ajudo nas despesas de casa, pago meus remédios e a academia”, destaca.

De acordo com Fernando Caldeira Alvarenga, Encarregado de Produção e Montagem da empresa, a principal característica do Lucas é a qualidade com que presta seu serviço. “Apesar de ter déficit de atenção, o Lucas desempenha seu trabalho com excelência, auxiliando também minha equipe, que são seus colegas de trabalho”, comenta.

Com o objetivo de não deixar o funcionário nervoso e agitado, Fernando observa que houve uma mudança na cultura do ambiente organizacional (alertada antes de sua entrada), uma vez que os trabalhadores evitam falar sobre determinados assuntos, como futebol, deixam de fazer brincadeiras, entre outros. Essa mudança cultural é fundamental para que se possa desenvolver o verdadeiro significado do termo inclusão. Vale ressaltar que o apoio profissional desaparece de forma gradativa e é substituída pelo apoio natural, ou seja, dos colegas de trabalho. Por isso, Fernando afirma que exige do Lucas como exige de qualquer outro funcionário, tratando-o de forma igualitária.

A empresa, que não precisa cumprir a Lei de Cotas por ter pouco mais de 80 funcionários, acredita que foi uma escolha feliz lidar com a aprendizagem voltada para quem tem deficiência. O trabalho tem sido desenvolvido em parceria com o Instituto Ester Assumpção, que possui como metodologia o Emprego Apoiado, um facilitador no processo de inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. A metodologia visa à inclusão e é pensada e desenvolvida para cada indivíduo que pretende trabalhar, respeitando seus interesses, escolhas, capacidades, habilidades e necessidades de apoio. “Foi uma experiência muito interessante para a gente, foi uma surpresa. Os funcionários da REA abraçaram a ideia, auxiliaram na inserção do Lucas e gostaram muito dele”, diz Ricardo Nacur, sócio proprietário da REA.

*Lei 8213/91: Lei que estabelece cotas de 2% a 5% para trabalhadores com deficiência ou reabilitados do INSS em empresas privadas com cem ou mais funcionários.

Descrição da imagem: Lucas usa uniforme da cor branca e está sorrindo. Ele está em seu ambiente de trabalho.

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